Um jardim em todo o lado




Morar num apartamento com uma pequena varanda e não perceber rigorosamente nada de jardinagem ou de agricultura, já não são impedimentos para ter uma horta ou um jardim em casa. A bracarense Plantit explica como.


Como esticar as 24 horas de um dia? Susana Caseiro, de 34 anos, é capaz de ser a pessoa ideal para explicar como. Casada, com três filhos, empresária, ainda arranja tempo para trabalhar na horta de casa e dedicar-se à música: toca guitarra e canta. Também se perde por uma boa caminhada mas, actualmente, à frente de uma empresa em início de actividade, há que investir mais tempo neste projecto e menos no lazer. 

Licenciada em Engenharia Biológica, e especializada em Gestão de Qualidade e Ambiente, a empreendedora bracarense criou, em 2010, a Plantit - Hortas & Jardins Ecológicos. A ideia surgiu quando percebeu o interesse que a sua horta despertava entre familiares e amigos. 

"Todos diziam que gostariam de ter uma igual mas que não percebiam nada de agricultura ou não tinham espaço para o efeito", conta. Encontrar soluções para realizar o desejo (dos outros), de ter manjericão, coentros, lúcia-lima ou morangueiros 'made at home', foi o desafio que colocou a si própria. Daí nasceu um negócio. 

Kit faça você mesmo 
A fundadora e sócia-gerente da empresa de Braga, garante que, através da Plantit, e do Kit Plant Bio, é possível "instalar, facilmente, uma horta-jardim em qualquer local com limitação de espaço e solo". É o caso de varandas ou de terraços. "Uma solução única em Portugal", sublinha e que torna possível materializar o sonho de ter um jardim ou uma horta em casa. 

Este kit inclui mesa ou estrutura (Kit Plant Bio Universal ou Modular), substrato, sementes/plantas (mais de 30 variedades, entre hortícolas, aromáticas, medicinais e minifrutos, como morangos), além de um plano de cultivo e aconselhamento, online ou presencial. Uma solução na óptica do "faça você mesmo", que, sublinha a empreendedora, alia o lado lúdico das práticas de jardinagem, com a complementaridade de se ter o proveito de colher e consumir 'os frutos'. 

Um dos grandes objectivos da Plantit, desde o início, é "dinamizar as boas práticas ambientais, nomeadamente as práticas da agricultura biológica." A ideia é levar as técnicas da agricultura biológica aos lares portugueses e permitir que as pessoas possam (re)conectar-se com os valores do mundo rural. Susana Caseiro sublinha ainda que os perfis (estruturas) utilizados são "em madeira plástica, 100% material reciclado, originário dos plásticos mistos portugueses e com uma duração 20 vezes superior à madeira."

Escolas aderem aos Kits
Apesar dos fortes cortes orçamentais neste tipo de instituição, a empreendedora explica que os principais clientes da Plantit são as escolas (Plantit-Escolas) e as instituições privadas de solidariedade social, público junto ao qual a empreendedora desenvolveu um projecto complementar que se chama "a horta eco-pedagógica". 

Até ao momento, o Kit Plant Bio está instalado nas escolas do distrito de Braga e os miúdos, excelentes a passar palavra, levaram o conceito aos pais. Por isso, a Plantit, face às novas solicitações, iniciou, no primeiro trimestre deste ano, a comunicação das suas soluções ao público privado (Plantit-famílias) - que compra directamente à empresa mas, em breve, contará também com a loja online. 

As instituições para idosos (lares), a hotelaria e o segmento empresarial, numa perspectiva de Fun & Work, serão os próximos alvos da Plantit que, para estes segmentos, está já a criar soluções específicas. O âmbito de actuação da empresa bracarense tem sido regional mas, ainda antes do final de 2011, Susana Caseiro lançará uma solução que permite, em questões de logística, "chegar rapidamente a todo o território nacional". 

Posteriormente, quer chegar mais longe - actuar a nível internacional -, difundindo este novo conceito de luxo: o luxo de comer aquilo que nós próprios cultivamos.



Arriscar para colher frutos

"Ser pioneiro teve uma desvantagem", explica a empreendedora, esclarecendo que, quando pensou em lançar a Plantit, não havia, em Portugal, histórico da receptividade a este conceito. Sendo certo que há negócios semelhantes noutros países europeus e na América do Norte, a empreendedora considerou que "não podia fazer extrapolações porque são realidades completamente diferentes." À necessidade de arriscar em algo novo, somou-se o tempo necessário (um ano) para desenvolver kits eficazes, o que "foi penalizador por exigir um esforço demasiado grande na fase de arranque de negócio". Feitas as contas, no primeiro ano de actividade, a Plantit, cujo investimento inicial correspondeu a 25 mil euros (financiados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional), dedicou-se, quase exclusivamente à investigação e desenvolvimento das soluções, sendo, basicamente, um ano de investimento. Este ano, a aposta na inovação nos kits é para continuar mas a empresa já prevê atingir os 40 mil euros de facturação.



Tudo cabe na varanda

Antes da Plantit era difícil imaginar todas as ervas aromáticas, hortícolas e mini frutos que podiam caber numa varanda. O Kit Plant bio universal (mesa de cultivo/ 0,5 m2) adapta-se a uma modesta varanda sendo possível criar uma pequena horta de ervas aromáticas e medicinais. O número de variedades englobado numa solução depende das escolhas do cliente mas, habitualmente, varia entre as 8 e as 12. Há, também, soluções em que é possível misturar algumas hortícolas com aromáticas, ou aromáticas com mini-frutos, como morangos. No caso de hortícolas é possível cultivar alface, acelga, agrião, cebolas ou rúcula, dependendo da época do ano.


Via: Teresa Gens/ Jornal Negócios

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