Baga do sabugueiro: Um negócio em expansão





Os produtores do Douro Sul exportarão duas mil toneladas de bagas negras de sabugueiro para a Alemanha, um negócio que, a médio prazo, pode vir a render seis milhões de euros por ano.

A saída da crise que afectou a produção da baga do sabugueiro, no Vale de Varosa, está a passar por várias fases, com prioridade, numa primeira etapa, para o aumento da produção, de 900 toneladas para mais do dobro em 2008 e quatro mil no próximo ano.


O segundo passo foi concretizado recentemente na Alemanha, o principal país importador, onde uma delegação constituída pelos presidentes da Câmara Municipal de Tarouca e da Cooperativa Agrícola do Varosa conseguiram assegurar o escoamento da totalidade da produção para um cliente tradicional, obtendo um aumento de três cêntimos por quilo.


Para os produtores do Douro Sul, nomeadamente, Tarouca; Lamego; Armamar; Tabuaço e Moimenta da Beira, este negócio representa um acréscimo de rentabilidade com o preço por quilo a subir para 38 cêntimos.

A exportação é realizada há 40 anos para o grupo alemão Dinter, um dos maiores produtores de sumos concentrados da Europa, um cliente que sabe que a baga desta região é uma das melhores do mundo, embora outros países, como a Bulgária, República Checa, Hungria e Polónia também disputem este mercado.


A qualidade da baga do Vale do Varosa deve-se, sobretudo, às condições climatéricas desta região, contendo um grau adoçante muito acentuado, um «factor determinante para a opção de compra por parte de uma empresa transformadora do ramo alimentar», explicou o presidente da autarquia de Tarouca, Mário Ferreira.


Rogério Martinho, da Cooperativa Agrícola do Vale do Varosa ,partilha da mesma opinião, afirmando que se está a falar «de uma cultura com elevado potencial», que se assume, «cada vez mais, como uma forte e válida alternativa às culturas tradicionais», como os casos dos pomares e da vinha, «a passarem por muitas e conhecidas dificuldades».

Mário Ferreira e Rogério Martinho, também dirigentes da Organização de Produtores Agrícolas do Varosa (OPAV), prevêem um futuro cada vez mais risonho para a baga do sabugueiro.


A construção de uma unidade para a transformação parcial do produto, correspondente a um investimento que poderá atingir os dois milhões de euros, é sinal desta onda de optimismo por parte do sector, sendo que para o efeito será constituída uma sociedade entre a OPAV, que deterá 51 por cento do capital social, as câmaras dos concelhos produtores com 25 por cento e investidores privados, com 24 por cento.

A organização terá competência para promover a concentração e transformação da baga, esperando-se, explicou Rogério Martinho, gerar receitas na ordem dos seis milhões por ano, depois de todos os investimentos pagos.

O dirigente agrícola saúda a recente introdução da baga do sabugueiro na Organização Comum de Mercado (OCM), salientando que «graças à persistência, inclusive da Fenafrutas, desde de Dezembro que este produto consta da listagem de frutas e legumes».


Rogério Martinho conta que o campo experimental da baga, criado há oito anos, permitiu conhecer melhor a planta e avançar para a elaboração de um caderno de especificações, concluindo que a «baga do Varosa está no bom caminho» e diz que todos os envolvidos acreditam que «brevemente será um produto de denominação de origem Protegida (DOP).


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