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terça-feira, 2 de agosto de 2011

HORTAS URBANAS CONQUISTAM TERRENO EM PORTUGAL



Imaginem-se canteiros repletos de pés de cenoura, alface e beterraba na acinzentada paisagem da metrópole. Parece um cenário edílico mas as hortas urbanas são uma realidade e um fenómeno em crescimento, inspirando a população citadina a boas práticas ambientais, para além de requalificarem os espaços urbanos e contribuírem para projectos de inclusão social.

Não sendo um fenómeno recente em Portugal, as hortas urbanas, enquanto parte integrante da paisagem nas imediações das grandes cidades, começam agora a ganhar novos adeptos.
Com origem em grande parte na migração rural, estas hortas foram nascendo do improviso e da vontade de ocupar o tempo mas, actualmente, começam a ser encaradas pelas autarquias como forma de intervenção ao nível da sustentabilidade do meio ambiente ao possibilitar a proliferação dos espaços verdes, a renovação da paisagem urbana e ao reduzir as emissões do sector dos transportes. Estes espaços constituem também locais de formação de crianças e jovens que começam desde cedo a valorizar a produção nacional e a desenvolver uma consciência ambiental.
Num plano mais abrangente, dominado pela crise do combustível e perante a eventual escassez de determinados alimentos, esta tendência ganha ainda mais força vindo ao encontro de alguns adeptos das hortas urbanas entre nós. Já nos anos 80, o arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles defendia a importância destas hortas apontando alguns exemplos do que já há muito se fazia lá fora, em especial nos países da Europa do Norte, região que viu nascer este conceito. 

Mas para que as hortas urbanas se imponham enquanto fenómeno social não basta a boa vontade individual, terão que ser as autarquias a promover incentivos dando origem a projectos municipais. É que não está em causa apenas o acesso a novos terrenos. O acesso à agua para rega, a protecção ao roubo e ao vandalismo são também desafios que se colocam e aos quais é necessário dar resposta. Manuela Raposo Magalhães, arquitecta paisagista e professora do Instituto Superior de Agronomia vai mais longe e defende mesmo a integração das hortas urbanas nos PDM “para criar as condições e agilizar o licenciamento destas actividades”.
È neste contexto que assistimos ao nascimento de novos espaços comunitários por todo o país. Nesta matéria, Lisboa assume-se com uma aposta clara tendo apresentado um plano que prevê, a par do melhoramento das já conhecidas hortas da Quinta da Granja, Vale Fundão e Bairro Padre Cruz, a criação de hortas novas em Campolide e Telheiras. Ainda em Lisboa, merecem igualmente destaque dois projectos que têm ambos lugar na Alta de Lisboa. Um deles levado a cabo pela Escola 34 que transformou um matagal numa horta graças ao envolvimento de pais, professores e alunos que vêem nascer produtos que vão parar directamente à mesa, promovendo desta forma uma alimentação mais saudável. Com outro âmbito mas também na Alta de Lisboa, poderá vir a nascer uma horta comunitária resultado do empenho pessoal do arquitecto paisagista Jorge Cancela, que vê neste projecto uma forma de fortalecimento comunitário ao permitir aproximar moradores realojados das pessoas que escolheram aquele bairro para viver.
Mais a Norte, as referências vão para o projecto “Horta à Porta” (ver caixa) no Grande Porto que conta já com 12 espaços comunitários para cultivo biológico e tem mais de 700 pessoas em lista de espera; Em resposta à crise, Maia viu nascer a primeira horta de subsistência da região do Porto, podendo candidatar-se desempregados ou pessoas que declarem baixos rendimentos. Já Ponte de Lima apostou nas hortas urbanas como instrumento de educação ambiental e alimentar. Outras cidades, como Coimbra (ver caixa) e Funchal, disponibilizaram espaços verdes camarários para o cultivo de pequenas hortas e tornaram esta actividade um elo de convivência social e entre gerações. De Évora vem o exemplo dos já muito requisitados “quitandeiros” que aos sábados e domingos vendem à porta do mercado os produtos que cultivam nas hortas que existem à volta da cidade.
Exemplos que remetem para a necessidade de repensar o papel destas iniciativas como elementos de inovação urbana dotando as cidades de espaços que enriqueçam a vida e a saúde de quem nelas habita.

Projecto “Horta-à-Porta”, da Lipor
O “Horta-à-Porta” surgiu em Julho de 2003 devido à necessidade de articular a disponibilidade de várias entidades numa rede que viabilizasse uma estratégia para a Região do Grande Porto no domínio da compostagem caseira, na criação de hortas e na promoção da agricultura biológica.
Trata-se de um projecto que visa promover a qualidade de vida da população, através de boas práticas agrícolas, passando não só pela criação de espaços verdes dinâmicos mas também pela promoção do contacto com a Natureza e de hábitos saudáveis sem esquecer a redução de resíduos e impactes ambientais.
Na prática, este projecto pretende disponibilizar talhões de no mínimo 25 m2 a particulares interessados em praticar a agricultura biológica e a compostagem. Ao receber o talhão de terreno, os futuros agricultores recebem também formação em agricultura biológica, é-lhes disponibilizada água, um local para armazenamento de ferramentas e um compostor individual. Os produtos obtidos são para consumo próprio.
Em 2009, foram criadas duas novas hortas com o objectivo de complementar o orçamento de famílias carenciadas, aliando os objectivos do “Horta-à-Porta”, a promoção da qualidade de vida das populações, a prevenção na produção de resíduos orgânicos e a promoção de boas práticas agrícolas, com a subsistência e a responsabilidade social.
Neste momento, o projecto dinamizado pela Lipor em parceria com as Juntas de Freguesia de Aldoar, S. Pedro de Rates, A-ver-o-mar e Maia e os Municípios de Matosinhos,  Póvoa de Varzim, Maia e Porto conta com 14 hortas. São já mais de 3,6 ha de agricultura biológica!

Hortas urbanas em Coimbra
Desenvolvido pelo Departamento de Habitação da Câmara Municipal de Coimbra em colaboração com a Escola Superior Agrária de Coimbra, o projecto "Hortas do Ingote" teve início no terreno em 2006 e contemplou a atribuição de 25 talhões, cada um com uma área aproximada de 150 m2, a moradores que, após uma vida activa distante do cultivo da terra, assumem hoje o papel de agricultores urbanos.
Na cidade dos estudantes, o projecto camarário é actualmente encarado por todos como um sucesso, na medida em que a encosta anteriormente ao abandono ou onde se verificava o "cultivo desordenado" acolhe agora pequenas hortas tratadas com afinco e dedicação por cerca de 25 moradores dos Bairros da Rosa e do Ingote, com as vantagens económicas, ambientais e sociais a aliarem-se a benefícios do ponto de vista de uma alimentação equilibrada e do combate ao sedentarismo. Para além disso, procede-se ao aproveitamento da água da chuva, através de reservatórios instalados em cada um dos talhões, que dispõem também de contentores para a produção de fertilizante biológico, entre outras infra-estruturas.

Hortas urbanas limianas 
O projecto Hortas Urbanas de Ponte de Lima já atingiu metade da ocupação dos lotes disponíveis. Instalado na Veiga de Crasto, este projecto lançado pelo Município de Ponte de Lima e coordenado pelo Serviço da Área Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos, despertou o interesse de muitos limianos que procuram cultivar pequenas quantidades hortícolas para consumo próprio.
Sensibilizar a população para os impactos ambientais e sociais resultantes das alterações que têm ocorrido no espaço rural, bem como disponibilizar aos munícipes, nomeadamente aos que não possuam terras agrícolas, um lote de terreno para fins agrícolas, são os objectivos principais deste projecto.
Em simultâneo, pretende-se proporcionar um espaço de ocupação dos tempos livres a todos os que nele participem e ainda concorrer para a manutenção das actividades humanas e consequentemente para o uso e ocupação do solo da Veiga de Crasto, local onde vai decorrer o projecto.
Assim, o Município disponibiliza aos participantes um lote de terreno de 40 m2 inserido numa área vedada, um ponto de água destinada à rega das culturas instaladas no lote, um abrigo comum para armazenamento dos utensílios agrícolas e um espaço comum para compostagem ou colocação de fertilizantes orgânicos, para além de fornecer informação sobre os modos de produção e práticas culturais ambientalmente correctas e um livro que permitirá a comunicação entre os participantes e o Município de Ponte de Lima.
De acordo com o regulamento do projecto pode candidatar-se qualquer munícipe, sendo conferida prioridade aos candidatos seniores, a jovens casais, ou ainda a pessoas que não possuam terras agrícolas.


1 comentário:

  1. A partir do Algarve, mais um movimento que se começa a organizar: Iniciativa aHorta
    http://ahorta.ning.com/

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