Mais agricultura


Os tempos actuais apontam para cenários cada vez mais difíceis de engolir. Mas, nós, agricultores e proprietários agrícolas, já passamos por coisas bem piores. 


Nesta crise podemos ser o parceiro privilegiado do poder político. Como? Com o aumento da produção agrícola nacional indispensável para evitar o desperdício de milhões de euros com a importação de bens alimentares.
Sabia que Portugal, em 1975, exportava malte para fabrico de cerveja produzido a partir de cevada dística nacional semeada nas terras agrícolas do Alentejo e Ribatejo? Sabia que Portugal, nessa altura, produzia nesses mesmos campos, os cereais, trigos moles e duros a partir dos quais se faziam as farinhas para pão e massas alimentícias nacionais, que eram armazenadas nos silos construídos nas zonas de produção? É aqui que reside o desafio. Os agricultores têm de arregaçar ainda mais as mangas. Têm que se agrupar em organizações e tornar a lançar à terra as sementes que irão produzir frutos que tanta falta fazem a Portugal. Para que isto aconteça é imperioso que todos os elementos das fileiras dos produtos agrícolas dêem as mãos. Os industriais que transformam os nossos produtos têm de neles acreditar e colaborar na celebração de protocolos, contratos anuais ou plurianuais, com regras concretas e claras que permitam que os mesmos sejam bons e profícuos, para ambas as partes. As cadeias de grande distribuição têm de reforçar a preferência pelos produtos nacionais.
Mas, apesar da necessidade de produção, não se pode descurar a investigação, bem como as regras de qualidade e certificação. Lanço ainda um apelo aos governantes para, que, de uma vez por todas, considerem e apoiem a agricultura portuguesa. É um sector estratégico e indispensável para sairmos da crise em que todos nos encontramos.
Por: Fernando Carpinteiro Albino, Presidente do Conselho de Administração da Carnalentejana

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