Assim se semeia uma fileira mundial de plantas biológicas



Assim se semeia uma fileira mundial de plantas biológicas
Agricultura. Quase a completar dez anos, o Cantinho das Aromáticas exporta 90% da sua produção para França e está apostado em criar uma fileira mundial de plantas bio.
Criar a primeira fileira mundial de plantas aromáticas biológicas. É este o sonho de Luís Alves que em 2002 fundou a empresa Cantinho das Aromáticas com a ajuda de um amigo da adolescência, António Jorge Sá, um investimento inicial de 2500 euros por cada sócio. "Uma microempresa que, à sua escala de gota de água, tem contribuído para modificar mentalidades", sintetiza o engenheiro agrónomo que, durante seis anos foi o principal responsável dos jardins da Fundação de Serralves, no Porto.
Essa contribuição tem sido feita das mais diversas maneiras, a partir deste cantinho de três hectares, em plena malha urbana de Vila Nova de Gaia, que produz 150 espécies de plantas em vaso (aromáticas, condimentares e medicinais). O que leva Luís Alves a dizer que "isto é um caldeirão onde acontecem muitas coisas e onde o céu é o limite".
Além da presença semanal no programa da RTP Praça da Alegria, Luís Alves desdobra-se em workshops (um pouco por todo o País, mas sobretudo em Vila Nova de Gaia), e o Cantinho das Aromáticas organiza anualmente a Feira da Primavera, tem uma loja online, está desde o início ligado a projectos de investigação e recebe voluntários que aqui vêm beber da experiência de Luís Alves.
"Nos últimos três anos ajudámos a instalar cerca de doze agricultores um pouco por todo o País e para o ano seremos pelo menos vinte", especifica, acreditando que "o desenvolvimento e partilha de conhecimento vai permitir que o valor acrescentado fique em Portugal". Ou seja, "hoje vendemos a granel toneladas de matéria-prima mas no futuro, quando já existirem vários produtores, teremos condições para que se crie em Portugal uma espécie de central de recolha e transformação de plantas aromáticas e medicinais que pode depois produzir extractos ou óleos essenciais, dando início a uma indústria que retenha o valor acrescentado das plantas no País".
A produção de lúcia-lima, erva-cidreira e hortelã-pimenta, 90% da qual é exportada para França, contribui para a maior fatia da facturação. E tendo como objectivo o mercado alemão - "porque aí está concentrada a indústria farmacêutica, a grande consumidora das aromáticas" -, o tempo dedicado a ajudar outros a instalarem-se como agricultores é mais um passo na concretização da tão desejada fileira.
E se quase dez anos depois Luís Alves pode falar com orgulho do caminho percorrido. O primeiro passo foi arrendar três hectares dos dez de uma quinta situada em Vila Nova de Gaia. E após as dificuldades dos primeiros anos - "não tive férias, casei--me e nem fui de lua-de-mel", recorda - 2004 acabou por ser um ano decisivo. Uma candidatura a fundos comunitários e a ida à maior feira mundial de agricultura biológica (BioFach, em Nuremberga, Alemanha) foram o adubo de que o projecto estava a precisar para crescer.
"Deixámos de ser meramente viveiristas e passámos a ser agricultores ao ar livre, pondo em prática uma forma de agricultura altamente especializada e pioneira", conta Luís Alves. O contacto com os possíveis futuros clientes na feira de Nuremberga permitiu-lhe perceber o que poderia fazer e como ser competitivo e o financiamento de 250 mil euros foi investido em secagem das plantas e pôs em prática um novo processo de cultivo de plantas aromáticas, que lhe valeu a distinção de Agricultor Inovador, em 2008, na Semana Verde da Galiza. "Cobrir toda a superfície com tela de chão - uma tela de plástico porosa e permeável - e instalar um sistema de rega computadorizado foi absolutamente inovador", explica. Um processo que tem sido replicado e que Luís Alves partilha com o "egoísmo" de quem quer ver o seu sonho realizado, à laia de quem semeia para mais tarde colher.



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