Hortas urbanas entusiasmam




Há três anos que Rui Nunes se dedica, nos tempos livres, à agricultura. 


A ideia surgiu depois de “nascerem” as hortas urbanas acima do Campo da Barca. Rui Nunes explica que aquele projecto fez com que decidisse, também ele, arregaçar as mangas e cultivar os terrenos baldios que são propriedade da sogra e que ficam numa íngreme encosta da rua Visconde Cacongo.


«Vi que tínhamos todas as condições reunidas para a prática da agricultura. Temos água, temos uma boa exposição solar». Rui Nunes está de directa (fez noite naquele que é o seu emprego a tempo inteiro). Ainda assim, faz questão de nos levar até o cimo da encosta e mostra os terrenos que cultiva com a ajuda de todos os elementos da família. Depois de subirmos uma escadaria, damos de frente para vários “poios”. Todos eles com plantações de morangueiros.


Rui Nunes explica que o seu terreno (com uma área de 2.500 metros) está dividido numa zona frutícola e noutra hortícola. 


Aquele que está cada vez mais apostado no cultivo da terra, adianta que o seu investimento está a passar pela reconversão para a agricultura biológica.


«Queremos ter uma produção de melhor qualidade», refere ainda ao nosso jornal, para logo adiantar que, neste momento, aquilo que mais produz são morangos. «Temos também hortícolas variadas», sublinha.


Rui Nunes esteve sempre ligado à terra.


«Desde que me lembro, sempre vivi numa casa com muita fazenda». conta. Agora, com flexibilidade de horários e tendo em conta combater o sedentarismo, «decidi empenhar-me ainda mais na agricultura». 


Uma actividade que, segundo diz, «dá imenso gozo, é anti-stressante». Rui Nunes refere que só quem cultiva apercebe-se do «prazer» que a agricultura proporciona. «É muito estimulante desfrutar dos sabores daquilo que plantámos», diz.


Rui Nunes diz que para conseguir bons resultados, teve de ir à procura de informação, contando com o apoio técnico da direcção regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural. 

Apostar na diversidade

«Eles estão sempre presentes a nos fornecerem indicações de qual a melhor forma de agir, de quais as melhores culturas para cada terreno», explica.


Apostar na diversidade e passar de uma actividade que se destina ao consumo familiar para a venda ao público, são os anseios deste agricultor que considera ser cada vez mais importante que as pessoas pensem em cultivar os terrenos.


«Acho que a Madeira tem todas as condições para ser auto-suficiente naquilo que se pode produzir cá», diz. Para além disso, «antes, era mais barato comprar o que vinha de fora. Isso vai deixando de o ser», acrescenta Rui Nunes. Daí defender que aqueles que têm terreno deviam apostar nesta actividade».

«Nós somos uns “nabos” nisto», dizem Anabela e Élvio Sousa

Ele é mecânico. Ela trabalha na contabilidade. Na agricultura «nós somos uns “nabos”», como admite Anabela Sousa. No entanto, o gosto pelos “cheiros” da terra e a vontade de voltar a reunir a família e de tirar os filhos de frente dos computadores e da televisão, levou este casal que nunca cultivou nada e que quase nada sabe sobre a agricultura, a arrancar com projecto que visa tornar um terreno de cerca de 2 mil metros, em Santa Cruz, numa área cultivada.

Números a subir

O número de produtores agrícolas no concelho de Santa Cruz abrangidos pelo “prémio ao agricultor” era, em 2009, de 763. Em 2007, existiam 431. A verba envolvida na altura era de 348 mil euros, sendo que em 2009, foi de 472 mil euros.

Crise. «O bom da crise é que vai fazer a gente voltar às raízes», conta-nos Anabela Sousa, a qual vê na agricultura, uma oportunidade de reunir a família em convívios, enquanto se cava a terra.

Anti-stress. «Vejo nisto, uma forma de fugir ao stress. Em vez de irmos para os centros comerciais, é muito mais agradável vir para aqui, num fim de tarde, tratar da terra e ver aquilo que plantámos a crescer», refere a mesma senhora.

Funchal. Rui Nunes, proprietário de terrenos na Visconde Cacongo, explica que os apoios do Governo «têm sido importantes para estimular muita gente a regressar à terra a começar em projectos relacionados com a agricultura».

Moda. Élvio Sousa diz que cultivar a terra está na moda. E para além de se poupar nas idas ao mercado, «distraímo-nos e afastamos as preocupações com outras coisas».

Parado. «Se estiver parado, não resolve nada. Cultivando, levo alguma coisa para casa e fujo ao stress do dia-a-dia»,d esabafa Rui Nunes.



Via:Jornal da Madeira

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