Cultura de cogumelos é alternativa à emigração de dezenas de jovens de Amarante



Mais de duas dezenas de jovens da região de Amarante, alguns dos quais licenciados, estão a apostar na cultura de cogumelos e outros produtos agrícolas como alternativa à emigração e saída para a crise económica que afecta o Baixo Tâmega.


Desde 2009, têm entrado na Associação de Agricultores Ribadouro, que compreende os concelhos do Baixo Tâmega e do Vale do Sousa, vários pedidos de financiamento de investimentos agrícolas, nomeadamente para a produção de cogumelos.

Maria de Lurdes Cardoso, daquela associação, disse à Lusa que na área dos cogumelos já foram aprovados 25 projectos apoiados por fundos do PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural), no quadro dos incentivos à instalação de jovens agricultores.

Seis outros encontram-se em fase avançada de preparação e mais dez intenções de investimento estão a ser analisadas pela associação.

«Tem aparecido muita gente desempregada, pessoas licenciadas em várias áreas e pessoas que perderam o emprego», explicou, atribuindo esta situação à crise económica que afecta a região.

«Hoje, quase diariamente aparecerem pessoas para fazerem projectos e a maioria é gente licenciada», acrescentou a técnica.

Maria de Lurdes Cardoso sublinha que o Baixo Tâmega, por ser território de minifúndio, é propício à produção de cogumelos porque esta cultura não exige muito espaço.

Além disso, observa, não é necessário fazer um grande investimento, que pode ser comparticipado, e o retorno é relativamente rápido.

«Com os apoios do Proder, é fácil iniciar actividade e adaptar uma infra-estrutura que já existe», disse a responsável da Associação de Agricultores Ribadouro.

A técnica reafirma que a cultura de cogumelos e de outros produtos, como os pequenos frutos e as hortícolas, já é vista na região como uma «oportunidade de futuro».

«Não são os filhos dos velhos agricultores, mas são já os netos. É gente jovem de outras áreas que vem para a agricultura, porque a alternativa era a emigração», insistiu.

Esta opinião é partilhada por Sandra Ferrador, técnica superior que acompanha várias produção de cogumelos actualmente em desenvolvimento no Baixo Tâmega.

À agência Lusa explicou que este tipo de cultura é vantajoso para a economia rural, porque o agricultor «tem a vantagem de ir investindo e, ao mesmo tempo, ter o retorno desse investimento de forma relativamente rápida».

A técnica sublinha, por outro lado, a possibilidade de serem aproveitadas estufas ou adegas abandonadas «que podem ser facilmente adaptadas, com um pequeno investimento, para a produção do cogumelo».


Foi o caso de Pedro Catão, de 36 anos, que aproveitou os terrenos da família para em 2011 avançar com um projecto de 50 mil euros, encontrando-se a produzir, em estufas, dois tipos diferentes de cogumelos - shiitaki e repolga.

O primeiro tipo, ainda em fase de inoculação, desenvolve-se em troncos de madeira. O segundo cresce em fardos de palha e já está a ser comercializado. O empresário disse à Lusa que tem garantido o escoamento da produção dos dois tipos de cogumelos.


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