Estudo na Beira Baixa: Novos rurais são o futuro do Interior

A professora Nazaré Roca, da Universidade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, está no terreno, na Beira Baixa, para fazer uma análise profunda sobre os novos rurais, os povoadores do espaço que muitos pensam ao abandono, mas que está a tomar uma nova vitalidade.

Os novos rurais podem modificar o espaço rural. Esta conclusão é da docente que considera a sua presença de extrema importância "principalmente porque pode torná-lo um espaço com uma diversificação de actividades, em que a agricultura deve continuar a ser importante, mas tendo uma função para além da produção, do mercado", refere ao Reconquista.


E concretiza que a agricultura tem, igualmente, a sua função em termos ambientais e de conservação da paisagem, "que se torna uma mais valia e que atrai populações, uma vez que as pessoas consomem essa paisagem", diz.


Nazaré Roca refere que este grupo de novos rurais trabalha em actividades que valorizam essa paisagem, para além da agricultura biológica que é de extrema importância. Tanto mais que, como frisa, a região da Beira Interior é a que mais aposta nesta actividade, em todo o país.


"Isto é importante porque o mercado da agricultura biológica está cada vez a ampliar-se mais", com a vantagem de que aqui, na Beira Baixa há boas acessibilidades, permitindo que os produtos possam ser vendidos em diversas feiras na capital ou noutras zonas do país. "Há casos de agricultores biológicos que aos sábados vão a Lisboa vender os seus produtos", adianta. 


A professora realça, ainda que para que permaneçam por cá estes novos rurais também têm que ter condições para se instalarem e desenvolver as suas actividades. São importantes também as acessibilidades e, igualmente, os equipamentos cultuais que durante as ultimas duas décadas foram implementados no interior português.


"Este é um território de novas oportunidades e aqueles que por diversos motivos querem uma alternativa de vida, porque estão cansados de viver na cidade, têm que ter as condições para poderem viver nessas áreas", reitera.


E este tipo de pessoas devem ser entendidas como agentes de desenvolvimento e fazer-se de tudo para que se fixem e não desistam. "Temos que esquecer a ideia de que o interior tem que ser repovoado porque estamos a perder população e isso é inevitável. Em Espanha e França, por exemplo, foi muito importante a chegada destes novos rurais, tanto os que regressaram aos seus lugares de origem para continuar a exercer actividades, ou reformados, mas também profissionais, pessoas qualificadas e que optaram por viver no campo", concretiza.


Nazaré Roca afirma que na investigação que está a desenvolver os novos rurais são pessoas com ensino superior e os que fazem agricultura biológica são mesmo engenheiros agrónomos, para além de que estão muito menos preocupados com os subsídios, o que não acontece com os outros agricultores. "Os outros agricultores acho que são atraídos pela agricultura biológica com a ideia de que vão ter lucro, porque vão ter subsídios e depois vêem que é uma actividade que precisa qualificação, porque as exigências e a fiscalização é muito grande da autoridade", refere.


"Fiz entrevistas com agricultores biológicos que colocam toda a sua produção em Espanha. É uma actividade que deve ser estimulada e a própria PAC - Política Agrícola Comum, assim como o Proder - Programa de Desenvolvimento Rural, apresenta essas condições", sustenta.
A investigadora participou no seminário "Casos de Sucesso no Combate à Desertificação: Combate à Desertificação, Abandono Rural e Despovoamento - Intervenções Raianas", que decorreu em Idanha-a-Nova.




Nazaré Roca é professora da Universidade Nova de Lisboa




Comentários

  1. Tenho um terreno com 5 ha em S.Miguel D'Acha o que me aconselha?
    Sou totalmente ignorante neste assunto de agricultura, mas com vontade de aprender e tendo as minhas origens na Idanha sou apaixonada por esse local

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