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quarta-feira, 2 de Maio de 2012

Ervas aromáticas e medicinais à procura de fileira e à conquista do mercado farmacêutico e da cosmética


Terreno adquirido (1hectare) para construção dos equipamentos (armazém, depósito) (3)
Terreno adquirido (1hectare) para construção dos equipamentos (armazém, depósito) (3)
O estragão-francês, o tomilho-vulgar, a segurelha, a manjerona e a hortelã-pimenta são a essência do projeto das plantas aromáticas e medicinais que deverá nascer no Lugar de Carrazedo, freguesia de Bucos, e que terá como principal destinatário o mercado farmacêutico e da cosmética.Impulsionado pelo casal Mónica Vaz e Hugo Maia, este projeto pioneiro no concelho de Cabeceiras de Basto surge como forma de dar resposta à crise que afeta todos os setores de atividade, nomeadamente a arquitetura, principal atividade dos mentores desta atividade.
“Nós colocámos a hipótese de emigrar para o Brasil que é um país que está a responder bem aos arquitetos portugueses. No entanto, nós apaixonámo-nos por Cabeceiras de Basto. Eu sou de Lisboa, o Hugo é do Porto e viemos para cá trabalhar e fomos ficando. Abrimos um gabinete de arquitetura e cá estamos”, revela Mónica Vaz, garantindo que “em Cabeceiras de Basto temos ótima qualidade e o tempo é ouro”.
Apaixonada pela paisagem Cabeceirense, a arquiteta fez no ano passado uma pós-graduação em Património Geológico, um recurso que na sua perspetiva não é explorado ao nível turístico.
A crescente importância do interior ao nível das oportunidades é para a jovem empreendedora uma realidade porque “antigamente o interior refletia distância mas hoje em dia isso não acontece”. 
A utilização das ervas aromáticas e os tratamentos à base de plantas medicinais estão a ganhar novo fulgor e a lisboeta a residir em Cabeceiras de Basto há vários anos não quis perder esta oportunidade.
A ideia de plantação das ervas aromáticas e medicinais cresceu graças ao incentivo de Luís Alves, amigo dos futuros produtores, que tem a sua produção localizada em Vila Nova de Gaia, numa empresa designada ‘Cantinho das Aromáticas’. 
“Ele dizia-nos que nós estávamos no sítio indicado ao nível das condições do solo e das condições climáticas para as ervas aromáticas”, confessou a arquiteta à reportagem do jornal Ecos de Basto. 
Depois de uma exaustiva procura de terra, os jovens encontraram o local onde o projeto das plantas aromáticas e medicinais deve ganhar raízes. Ao todo são 3,5 hectares (ha), sendo 1 ha para aquisição e os outros 2,5 ha para aluguer no Lugar de Carrazedo, freguesia de Bucos.
Mónica Vaz, no terreno destinado  para plantação de ervas aromáticas e medicinais (2,5 hectares) alugado (15)
Mónica Vaz, no terreno destinado para plantação de ervas aromáticas e medicinais (2,5 hectares) alugado (15)
Segundo Mónica Vaz, a maior dificuldade foi arranjar terra. “É difícil para quem não tem arranjar terra porque as produções para serem sustentáveis exigem uma grande área e o nosso território é caracterizado pelo minifúndio”, justificou, salientando a necessidade de “sensibilizar as pessoas para a criação de uma ligação de confiança com os proprietários”.
Em agosto de 2011, Mónica e Hugo deram início à procura de terra, tendo em novembro do mesmo ano conseguido fechar os contratos. 
Depois de terem esclarecido dúvidas com consultores que os elucidaram acerca dos apoios financeiros e das questões relacionadas com a exportação das ervas a serem produzidas, os jovens arquitetos apresentaram uma candidatura ao PRODER – Programa de Desenvolvimento Rural.
“Como não somos da área, o PRODER obriga a ter formação em agricultura geral. No entanto, como a ideia é fazermos exportação para o mercado farmacêutico e cosméticos, temos que fazer produção em regime biológico”, explicou Mónica Vaz que, em paralelo com a formação em agricultura geral, está a ter formação em bio pesticidas de forma a perceber qual a melhor forma para produzir bio pesticidas para o controle de pragas pois “é necessário preparar e nutrir o solo antes de se fazer a plantação”, esclareceu.
“As abelhas são ótimas a polinizar” e por isso o Hugo Maia está também a fazer um curso de apicultura para a instalação de colmeias no terreno onde deverá ser implementado o projeto das ervas aromáticas.
Nos tempos livres, o jovem casal desloca-se ao ‘Cantinho das Aromáticas’, em Vila Nova de Gaia, para colocar em prática os conhecimentos. 
A candidatura ao PRODER, que deverá comparticipar o projeto em 60%, foi enviada em dezembro de 2011 e os arquitetos mantêm a esperança de que ela seja analisada e aprovada “em breve” para poderem avançar para o processo de certificação biológica.
“Mal seja aprovada a candidatura, o primeiro passo a dar será a aquisição de 1 ha de terreno porque nós só temos contrato de promessa de compra e venda e nosso contrato de arrendamento do terreno agrícola é de 10 anos, como exige o PRODER”, realçou Mónica Vaz que deseja “colocar as plantas na terra daqui a um ano”.
Até lá, os jovens produtores pretendem pedir a baixada de luz, instalar o armazém, os depósitos e os sistemas de rega.

Terreno para plantação de ervas aromáticas e medicinais (2,5 hectares) alugado por onde passa uma levada
Terreno para plantação de ervas aromáticas e medicinais (2,5 hectares) alugado por onde passa uma levada
“A ideia é implementarmos o projeto dentro de dois anos em dois hectares”, destacou a jovem arquiteta que olha para o futuro com grandes expectativas.
A criação de um produto próprio, o alargamento da produção, a redução de custos e a aposta nas energias renováveis serão as apostas para o futuro. “Somos pequeninos para o mercado que queremos conquistar e pedimos apoio aos pequenos produtores que se quiserem juntar a nós para produzirmos todos da mesma maneira em regime biológico” com o objetivo de conquistar os mercados.
De acordo com Mónica Vaz, “o que existe atualmente é o apoio ao nível técnico que damos uns aos outros e o objetivo é termos uma possibilidade de criar uma fileira ao nível nacional, em que todos produzam da mesma maneira para que o produto possa ser exportado em rede de produtores”. A proximidade entre os produtores é, por isso, muito importante.

À conquista do mercado francês

No passado mês de fevereiro, os jovens arquitetos que se pretendem dedicar às plantas aromáticas e medicinais participaram na BioFach – Feira Anual em Nuremberga, Alemanha, “onde se encontram todos os produtores e produtos biológicos e onde é possível estabelecer inúmeros contactos”. 
Na feira, que “surpreendeu pela sua dimensão e pela diversidade de produtores”, Mónica e Hugo apresentaram-se aos importadores das ervas aromáticas e medicinais, estabeleceram contactos e tentaram perceber quais as ervas que tinham maior procura e maior escassez, com o intuito de criarem um produto próprio.
O projeto assenta em cinco variedades de ervas, três delas [estragão-francês, tomilho-vulgar e a segurelha] comuns aos produtores da região e as outras duas ervas [manjerona e a hortelã-pimenta] que seguem as necessidades do mercado nacional.
No caso do estragão-francês, tomilho-vulgar e segurelha, o objetivo é “criar um volume suficiente para encher por ano um ou dois camiões de ervas para a exportação que em princípio terão como destino a França”, enquanto a manjerona e a hortelã-pimenta se destinarão ao mercado português. 
Mónica e Hugo pretendem vencer no mercado farmacêutico e da cosmética que “exigem uma qualidade imperativa”. 
Primeiro a qualidade será testada através de uma análise de despiste ao nível de químicos em território português, sendo posteriormente analisada a qualidade da erva ao nível dos óleos essenciais e das suas características.
“Se queremos ser reconhecidos no mercado temos de criar uma marca e a qualidade é fundamental”, assegurou Mónica Vaz. 
As ervas aromáticas e medicinais a serem plantadas em Carrazedo, na freguesia de Bucos, são plurianuais. De acordo com a arquiteta, “a plantação terá uma duração entre 5 a 7 anos, sendo que no período de inverno as ervas não estarão ativas”, o que significa que a mão-de-obra será sazonal.
No primeiro ano, “como as ervas não terão uma grande velocidade produtiva”, os produtores não necessitarão de mão-de-obra contratada porque esperam recorrer ao apoio dos familiares, mas quando as ervas estiverem em idade adulta e a produção for em maior escala, Mónica e Hugo recorrerão à mão-de-obra temporária.
A exploração está localizada numa zona em que a exposição solar é elevada, tornando-se para isso vital a aposta em equipamentos que sejam sustentáveis e rentáveis em termos energéticos.
A energia solar será utilizada de uma forma passiva, através da colocação de painéis translúcidos na cobertura do armazém, de forma a que se proceda numa primeira linha de produção à secagem natural das matérias-primas. A energia solar será, assim, utilizada para aquecer e ventilar. A secagem das ervas aromáticas realizar-se-á essencialmente nos períodos de verão.
Com este novo projeto, os futuros produtores de plantas aromáticas e medicinais esperam conquistar não só o mercado nacional, mas sobretudo o mercado internacional levando o nome de Cabeceiras de Basto além-fronteiras.


10 comentários:

  1. Ideia fabulosa...

    Seria possível entrar em contacto com o casal?

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  2. Muito bom!

    Como posso entrar em contacto convosco?

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  3. Penso dar pernas a um projecto semelhante e como jovem agricultor.

    Como posso entrar em contacto com as pessoas em causa?

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  4. Como poderei entrar em contacto com o casal com o objetivo de estabelecer uma futura parceria?

    Obrigada

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  5. Sem dúvida uma ideia excelente...
    Tenho algum terreno na zona de Sintra e penso apostar em algo semelhante. Espero que tudo corra bem

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  6. Como poderei entrar em contacto com o casal com o objetivo de esclarecimetos para uma possivel implantação de projecto pessoal e possivel parceria?

    Obrigada

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  7. Saudações a todos.

    Recentemente surgiu a oportunidade de conjuntamente com 2 colegas enveredarmos pela produção de plantas aromáticas.
    Gostaria de saber se a colocação de plantas aromáticas no mercado é muito difícil?
    Existe alguma espécie de cooperativa que defenda ou salvaguarde os interesses de quem realmente trabalha e por isso mesmo merece receber o preço justo por esse mesmo trabalho?
    Obrigado.

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  8. Gostaria muito de entrar em contacto com este casal-



    Obrigado

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  9. Bom dia,
    estive a ler artigos acerca da produçao das plantas aromaticas biologicas.

    Gostaria de participar na fileira de produtores de ervas aromaticas. Tenho cerca de 15000 m2 de terreno, na zona do ribatejo, com armazem e agua de furo. O terrano é muito produtivo, e gostava de o cultivar com este tipo de produção. Temos disponiobilidade e alem destas condiçoes tambem disponho de tratores e maquinas adequadas a para preparar todo o terreno.
    Sera possivel ajudar-me? como consigo juntar-me a estes produtores de modo a produzir e comercializar estes produtos.

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    Respostas
    1. Boa tarde,
      gostaria de saber se alguem sabe da venda da planta kananga do Japão. em Portugal??

      obrigado

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