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sexta-feira, 1 de Março de 2013

Rui Rodrigues, 36 anos: o publicitário que virou agricultor


Era publicitário mas há seis anos decidiu tirar uma pós-graduação em Ecoturismo, para uma eventualidade. Trabalhava numa agência em Lisboa e mal via a família, até que um dia se deu o clique: «Foi na altura da greve nas gasolineiras. Ia ter uma reunião no Porto e não havia gasóleo. Eu até tinha o carro atestado mas lembro-me de a minha mulher me ligar a dizer que já não havia frescos em Lisboa. Na altura tinha uma filha de meses e pensei: ‘Sou muito criativo, muito criativo, mas então e comida no prato?’. E resolvi mudar».

Começou com um terreno com oito hectares, fez um estudo de impacto ambiental porque a herdade que comprou no Rogil (Aljezur) estava dentro de um parque natural, fez um levantamento de fauna e flora, mais outro de taxa de ocupação e a partir daí começou a preparar as áreas de cultivo.
Dos oito hectares, três são só para salvaguardar a fauna e flora e os restantes cinco para agricultura: dois de hortícolas, dois de frutícolas e um de uva de mesa e morango. «Hoje tenho três colaboradores mas quando comecei, comecei sozinho. Perdi 17 quilos em quatro meses!».

O negócio, a que deu o nome Herança Rural, foi crescendo e Rui começou a vender cabazes com os seus produtos biológicos – no início a amigos. «Por semana entrego entre 40 e 60 cabazes. Mas clientes tenho 120!», e tudo em apenas um ano. Mesmo assim, acredita que continua a comer-se mal em Portugal porque as pessoas continuam a preferir ir ao supermercado comprar coisas que não são da época e que vêm de fora a comprarem «o que é nosso, o que é bom e o que é apanhado no dia antes».

«Não faço os cabazes ao quilo porque o conceito de quilo no biológico não faz sentido nenhum. Mas consigo ter, no mínimo, 13 legumes diferentes por semana». O sucesso está comprovado. Rui está no Rogil, de terça-feira a sábado, onde apanha os legumes que distribui em Lisboa – e arredores – ao domingo e à segunda-feira. Os preços variam entre 10 e 20 euros. «O meu cabaz de 20 euros dá perfeitamente para quatro pessoas comerem durante uma semana».

E acrescenta: «Temos que fazer um refresh à nossa mentalidade, à nossa postura, à nossa maneira de estar na vida. Uma couve sabe bem no Inverno, um feijão verde sabe bem no Verão... Isto tem tudo a ver com fazermos uma alimentação saudável, sem enganar as próprias plantas», conclui.
 Para o futuro, planeia construir um ecoturismo mas até ao final do Verão está envolvido no processo de exportação de 240 toneladas de abóbora e 100 toneladas de batata doce para Alemanha, Espanha, Itália e França. «E não houve um único banco que me ajudasse, fundos comunitários, apoios da câmara ou da junta. Nada».

Patrícia Cintra (texto) e Miguel Silva (fotografia)

1 comentário:

  1. PARABÉNS. ESPERO FAZER ISSO EM BREVE TAMBÉM AQUI NO BRASIL. ABRAÇOS!

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